Silly economics post

24/09/2015
Frederico Turolla

Pezco Microanalisys
Nos anos 70, muita gente achava que Paul McCartney só escrevia bobas canções de amor. Silly Love Songs respondeu justamente a essa acusação. Pois, em meio à crise, economistas são acusados de só escreverem textos "bobos" criticando a política macroeconômica. O que há de errado nisto? I'd like to know, cause here I go again...
Hoje, sem novidade: expectativas Focus e capas da The Economist.

Para ilustrar o movimento das expectativas, revolvi tomar três marcos interessantes. Os pontos que escolhi no tempo são os seguintes:
• Capa 1: a data da capa da The Economist, "Brazil takes off"
• Capa 2: a data da capa da The Economist, "has Brazil blown it?"
• Capa 3: se uma nova capa saísse hoje!

No meio do caminho, a mesma revista fez mais duas capas emblemáticas como o Brasil, uma delas "Brazil's quagmire", outra "Why Brazil needs change". Porém, essas três datas emblemáticas bastam como marcos para avaliar a mudança de expectativas.

As expectativas para as principais variáveis econômicas e financeiras para o ano de 2015, conforme se via nas três ocasiões, estão na tabela a seguir. Em boa parte, são medianas do sistema Focus do Banco Central, sendo que no período da capa1 ainda não havia projeções no sistema do Banco Central.

pezco

A deterioração das expectativas para este ano foi dramática. Na primeira capa se esperava um crescimento de 4%, que caiu para 2,5% na segunda capa e hoje já nos contentamos com 2,7% negativos.

A inflação era basicamente a meta na primeira capa; na segunda, a política monetária de Tombini já mostrava os primeiros sinais de perda da credibilidade, um trabalho de equipe do Conselho Monetário Nacional e de sua chefe.

Fica claro que, desde a chefia anterior do CMN, essas pessoas trabalharam duro. Desmontaram instituições que funcionavam, reverteram estratégias macroeconômicas saudáveis e introduziram distorções microeconômicas de toda sorte. Você acha que isso é fácil de fazer?

Já na época da segunda capa, o pessoal do mercado começava a notar mais claramente os efeitos da Nova Matriz Macroeconômica. O estrago foi realmente grande, como agora dá pra sentir. Se uma capa dessas saísse hoje, a revista mostraria uma projeção de inflação não muito longe dos dois dígitos, confirmando o estrago causado pelo trabalho árduo e incansável dessa equipe.

As expectativas para o ano que vem, 2016, estão na tabela a seguir.

pezco

Para o ano que vem, menos ruim, com três batidas na madeira, por favor. De um crescimento de 4% que se esperava em 2009, já se espera uma queda de 0,8%. A inflação, que na primeira capa era tida como grudada na meta, já está projetada em 5,7%. A Selic que se esperava em 7,5% agora é vista em 12,25%. E o câmbio, que era esperado em R$ 2,20 agora vai a quatro.

Difícil ilustrar melhor a deterioração da economia brasileira melhor do que com o dramático movimento de expectativas nos últimos anos. O que se pensava que aconteceria em 2015, visto de hoje, era sonho.

Para quem achou que política macroeconômica é um tema batido demais, uma dura lição: macro policy isn't silly at all. Sem poesia ou heterodoxia, por favor.