O tamanho do pacote

26/06/2015
Helcio Takeda

Pezco Microanalisys

O governo anunciou nesta semana o tão aguardado programa de concessões. Os investimentos são de R$ 198,4 bilhões, distribuídos em rodovias (R$ 66,1 bi), ferrovias (R$ 86,4 bi), portos (R$ 37,4 bi) e aeroportos (R$ 8,5 bi). Deste total, apenas R$ 69,2 bilhões são para o período 2015 a 2018. O restante (R$ 129,2 bilhões) deve ocorrer a partir de 2019 depois do fim do mandato da presidente Dilma.

Qual é o tamanho ideal de um pacote de concessões? O montante de R$ 69,2 bilhões é muito baixo? A resposta não é trivial, mas esse é um montante crível dado o contexto atual e as condições impostas para o financiamento dos investimentos. O pacote atual condiciona o tamanho do acesso aos recursos do BNDES à emissão de debentures. Ou seja, requer uma participação maior do mercado de capitais para financiar os projetos de infraestrutura.

Dadas as condições, o volume total esperado para a emissão de debentures no período de 2015 a 2018 está entre R$ 7,9 e 19,1 bilhões, contando apenas com o volume necessário para financiar o investimento estimado em torno de R$ 75 bilhões. Isso significa emissão anual média entre R$ 2 e R$ 5 bilhões. Parece um montante razoável e que poderia ser absorvido pelo mercado.

Esse é o ponto relevante. No atual contexto de incerteza, vale um teste para verificar o quanto o mercado está disposto a absorver em ativos financeiros com o risco da infraestrutura. Sendo assim, acertou o governo em oferecer um pacote menor - o que aumenta a taxa de sucesso do programa.

Se o mercado se convencer de que o programa pode ser um sucesso, - acompanhada de uma melhora importante no ambiente de negócios - a demanda por crédito privado pode aumentar, permitindo que o governo antecipe parte dos projetos esperados a partir de 2019 para este mandato.

Em outros tempos, o ideal era anunciar algo de grande monta e impressionar. Mas hoje, os tempos são outros. A dose de cautela observada nas repercussões após o anúncio é justificada. Afinal de contas, é difícil acreditar que o final de uma estória será diferente com a alteração de apenas um dos principais personagens - apesar de ser uma mudança substancial.