Mensagem do Embaixador do Brasil na Suíça

27/03/2018
José Borges dos Santos Júnior

Relatório Anual 2017; pág. 37
http://www.swisscam.com.br/edicao-2017.html
O Brasil rompeu o ano de 2018 imbuído de renovado otimismo, embalado por claras indicações de que o momento mais difícil da crise pela qual passou está definitivamente superado e pela retomada do dinamismo de sua economia, refletido nos principais indicadores macro e micro-econômicos. O compromisso com o equilíbrio fiscal enviou uma sinalizaçao positiva aos mercados, resultando em significativas quedas dos índices de inflação e de juros, bem como contribuiu para a estabilização das taxas de câmbio. Com isso, a balança comercial já retomou sua tradição superavitária, a atividade industrial mostra algum grau de reaquecimento, permitindo que as taxas de emprego e o nível dos salários também iniciem sua trajetória rumo ao caminho do crescimento e da prosperidade econômica e social.

Esse otimismo, em consequência das circunstâncias alvissareiras registradas no início do presente exercício fiscal, foi o ponto central da mensagem transmitida pelo Presidente Michel Temer, em seu discurso na reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, no último mês de janeiro. À frente de um número expressivo de ministros brasileiros e diante de homens e mulheres de negócios dos mais variados países, o Presidente resumiu esse momento positivo por que passa o país com a expressão "O Brasil voltou". No seu pronunciamento, o Presidente deu ênfase a indicadores que mostram que o país reencontrou o seu rumo e está pronto para retomar, com plena confiança, as muitas oportunidades de cooperação e de intercâmbio que nos oferecem a economia globalizada e as constantes inovações tecnológicas nas mais diversas áreas de negócios.

Gostaria, a essa altura, de mencionar um aspecto específico das relações entre o Brasil e a Suíça, de crucial importância para o momento econômico que vive o Brasil: a cooperação na promoção da pesquisa científica e tecnológica. Atividade, aliás, cada vez mais promissora, com ênfase em programas voltados para a aplicação industrial dos resultados acadêmicos. A esse respeito, registro a realização, em Berna, em novembro passado, da III Reunião da Comissão Mista de Ciência, Tecnologia e Inovação, da qual participaram, pelo lado brasileiro, representantes do MCTIC, do CNPq, da FINEP, da EMBRAPII e do CONFAP. A referida reunião foi seguida de encontro, na residência da Embaixada do Brasil, de expressivo grupo de estudantes brasileiros matriculados em cursos de pós-graduação em diversas universidades suíças e contou com a presença, do lado suíço, do embaixador Mauro Moruzzi, Chefe da cooperação internacional da Secretaria de Estado para a Educação, Pesquisa e Inovação (SERI), bem como de representantes do Fundo Nacional Suíço para a pesquisa científica (SNSF), do Swissnex Brasil e da embaixada suíça em Brasília. O evento visava especificamente a propiciar um contato mais próximo entre os participantes e a consolidar laços de cooperação já existentes nessa área entre os dois países.

No âmbito estritamente comercial, faço menção a dados recentemente divulgados pela administração aduaneira suíça, que indicam haver o volume de exportações da Confederação para o Brasil, em 2017, alcançado CHF 2,2 bilhões, um patamar 16,7% superior ao do ano anterior e três vezes e meia superior ao crescimento médio das exportações globais da Suíça (4,7%). Os embarques de produtos brasileiros para a Suíça, por outro lado, sofreram redução nominal de 6,3%, no mesmo período, o que resultou num superávit bilateral favorável à Suíça da ordem de 1,7 bilhão de francos. Como ponto positivo, cabe registar um incremento de 25% nas exportações brasileiras para a Suíça no mês de dezembro de 2017, na comparação com os números de dezembro de 2016.

No bojo das boas novas para o Brasil, o ano de 2018 também poderá representar um marco nas relações bilaterais. A Suíça terá a oportunidade ímpar de dar claras demonstrações de que considera o Brasil um parceiro verdadeiramente estratégico, com sua atuação em pelo menos duas frentes:

- contribuindo para que as negociações do tratado de livre comércio entre o Mercosul e a EFTA cheguem a bom termo. Embora se trate de uma negociação multilateral, o atendimento de alguns pleitos do Mercosul, em especial na área de produtos agrícolas, certamente contribuirá para que o crescimento das exportações do Brasil para a Suíça, registrado em dezembro de 2017, não constitua um mero incidente sazonal, mas que aponte para uma tendência sustentável que leve a um maior equilíbrio nas trocas bilaterias de bens; e

- assegurando o cumprimento do acordo para a troca de informações fiscais e recuperação de ativos. Para a manutenção do alto nível de confiança mútua que vem sendo construído, espera-se que a parte suíça confirme o calendário, estabelecido de comum acordo, para a transmissão de dados bancários, no contexto da Convenção Multilateral sobre Assistência Mútua Administrativa em Matéria Tributária.

Encerro esta breve contribuição lembrando que o relacionamento entre Brasil e Suíça tem uma densidade que transcende a mera relação política e econômico-comercial. Há uma série de aspectos, igualmente relevantes, na relação entre os dois povos, que envolvem elementos humanos, sociais e culturais que transcendem as estatísticas comerciais. Além dos conhecidos intercâmbios nas áreas de artes plásticas e da música, por exemplo, que ocorrem de modo regular e natural, recordo que, como marco especial na relação bilateral, o ano de 2018 marcará o 200º aniversário da emigração suíça para o Brasil. A ocasião deverá ser celebrada com extensa programação, no cantão de Fribourg, na Suíça, e na cidade de Nova Friburgo, no Brasil.