Mensagem do Embaixador do Brasil na Suíça

30/03/2017
José Borges dos Santos Júnior

Relatório Anual 2016; pág. 33
http://www.swisscam.com.br/edicao-2016.html

É com especial satisfação que aceito o amável convite da Câmara de Comércio Suíço-Brasileira para participar, pela primeira vez, deste prestigioso espaço na edição 2017 de seu Relatório Anual.

Tendo assumido minhas funções, em Berna, há pouco mais de um ano, pude ser observador privilegiado das muitas evoluções positivas que se realizaram, nesse período, em nossas relações bilaterais. A despeito das dificuldades que vem enfrentando, o Brasil continua a ser o principal parceiro comercial da Suíça na América Latina, origem de 14% de suas importações, e destino de 33% de suas exportações, em 2015, nessa região.

Estou certo de que podemos, e devemos, ter como objetivo permanente o adensamento de nosso intercâmbio de bens e serviços. Embora o volume de negócios, nas duas direções, se encontre, nesses dois últimos anos, em patamar inferior aos recordes obtidos entre os anos de 2010 a 2014, nosso relacionamento comercial mostra sinais de gradual, mas segura, retomada. É especialmente significativo, nesse sentido, que a pauta de produtos brasileiros embarcados com destino à Confederação se venha diversificando a cada ano que passa.

Desde o início da Presidência Michel Temer e a assunção do Senador José Serra ao cargo de Ministro das Relações Exteriores, o país tem envidado esforços para firmar novos acordos comerciais, com destaque para as negociações entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio. A atual convergência de posições entre os quatro países signatários do Tratado de Assunção já permitiu a realização de um diálogo exploratório, que deverá proporcionar oportunidade para avançar em direção a maior dinamismo nessa área.

Esse tema, assim como outros aspectos do relacionamento bilateral, puderam ser abordados pessoalmente pelo então Presidente da Confederação, Johann Schneider-Ammann, no mês de agosto passado, quando se reuniu, em Brasília, com o Ministro José Serra , antes de participar da cerimônia de abertura, no Estádio do Maracanã, dos Jogos Olímpicos de Verão, o evento desportivo mais destacado do ano de 2016. Também viajaram ao Rio de Janeiro, durante aquela competição esportiva, os Conselheiros Federais Guy Parmelin e Alain Berset, testemunhas do sucesso obtido pela "Casa da Suíça" como ponto de encontro e de celebração da "joie de vivre" carioca e do "savoir faire" helvético.

Caberia, ainda, sublinhar, como termômetro do dinamismo bilateral, a realização, no último mês de setembro, do VIII Encontro da Comissão Conjunta Brasil-Suíça de Relações Econômico-Comerciais. A delegação suíça, mais uma vez liderada pela Embaixadora Livia Leu, Chefe da Divisão de Relações Econômicas Bilaterais e Delegada do Conselho Federal para Acordos Comerciais da Secretaria para Assuntos Econômicos (SECO), contou com a participação do Senhor Emanuel Baltis, Presidente da SwissCam, e de representantes de empresas com fortes investimentos no Brasil, como Novartis, Sygenta, Aeroporto de Zurique e MSC, dentre outras. Como de praxe, o próximo encontro será realizado na Suíça, no segundo semestre deste ano, em data ainda a ser fixada.

Brasília e Berna mantêm, ademais dos interesses econômicos e comerciais, estreito diálogo nos mais variados domínios das relações internacionais, baseado na crença mútua de que nossa participação nos mais diversos palcos de negociações diplomáticas constitui o meio mais eficaz para atendermos às expectativas de nossas sociedades por um mundo cada vez mais interdependente, justo e seguro.

Como pude reiterar pessoalmente à Conselheira Federal Doris Leuthard, ao felicitá-la, há poucas semanas, por seu retorno à cadeira de Presidente da Confederação, é essa perspectiva comum entre nossos dois países que confere toda relevância à Parceria Estratégica brasileiro-suíça, desde seu estabelecimento, em 2008.

Não poderia deixar de fazer menção à experiência suíça de formação e treinamento profissional, por seus vínculos com o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico. Como se sabe, por intermédio de diversos programas de cooperação científica e tecnológica, de que participam, dentre outras institutições, as Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais, as unidades do Swissnex no Rio de Janeiro e em São Paulo, assim como a CSEM Brasil, em Belo Horizonte, nossos dois países desenvolveram instrumento inigualável de colaboração público-privada para o fomento à criação de "start-ups" promissoras, com impacto positivo sobre diversos mercados de alto valor agregado.

Por fim, ao parabenizar a SwissCam por sua reiterada contribuição à excelência dessa parceria bilateral, manifesto minha disposição pessoal, e a de minha equipe na Embaixada do Brasil em Berna, em continuar a aproximar ambas comunidades empresariais e a promover nossos objetivos recíprocos.