Mensagem do Embaixador do Brasil na Suíça
Relatório Anual 2007; pág. 27
O Brasil e a Suíça são parceiros tradicionais nos esforços pelo desenvolvimento econômico e social. Os laços que nos unem estão sedimentados em interesses concretos no comércio, nos investimentos e na cooperação científica e tecnológica, entre outros campos. Já construímos um patrimônio importante. Compartilhamos, ao mesmo tempo, os valores da democracia, da paz, da liberdade e dos direitos humanos. Nossos governos têm atuado com espírito de colaboração nos organismos internacionais e, igualmente, fortalecido o diálogo político bilateral.
Tive a honra de acompanhar o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Chanceler Celso Amorim e outros Ministros, além de Governadores de vários estados brasileiros, na cerimônia realizada na sede da FIFA, em Zurique, no dia 30 de outubro de 2007, quando foi anunciada a escolha do Brasil como país-sede da Copa do Mundo de 2014. Naquele mesmo dia, o Presidente Lula manteve encontro de trabalho com a Presidente da Confederação Suíça, Conselheira Federal Micheline Calmy-Rey. A conversa entre ambos centrou-se em diferentes temas de interesse comum e abriu interessantes perspectivas de aprimoramento dos nossos vínculos, em especial no que tange à cooperação técnica trilateral, às possibilidades de colaboração em matéria de biocombustíveis e à negociação de um novo acordo em matéria de ciência e tecnologia e de outro relativo à formação profissional. Tratou-se, igualmente, de questões multilaterais como a reforma das Nações Unidas e o ciclo das negociações de Doha. O Presidente Lula foi convidado a realizar visita de Estado à Suíça.
Na véspera dos encontros de Zurique, o Ministro Celso Amorim esteve em Berna para uma visita oficial, a primeira que um Chanceler brasileiro realiza à capital da Confederação desde o início da década de 1960. Manteve importantes conversações com três Conselheiros Federais - Doris Leuthard (Economia), Pascal Couchepin (Interior) e Micheline Calmy-Rey (Negócios Estrangeiros) - e participou da inauguração da Primeira Reunião da Comissão Mista de Relações Econômicas e Comerciais Brasil-Suíça. A reunião da Comissão, que havia sido instituída em fevereiro de 2007 durante visita a Brasília da Conselheira Federal Doris Leuthard, contou com a participação não só de representantes dos respectivos governos, mas também do setor privado.
O ano passado foi, assim, um período de intensa atividade no relacionamento brasileiro-suíço. Estamos implementando os programas e acordos vigentes e, da mesma forma, criando novos instrumentos de cooperação e diálogo. As empresas de cada país, por sua vez, ampliam seus horizontes de participação nos fluxos comerciais, financeiros e tecnológicos, com o que criam melhores condições de desenvolvimento sustentável. Para o Brasil, o acesso ao mercado suíço permanece de especial importância para muitas de nossas empresas, inclusive pelo prestígio que concede a seus produtos uma vez nele colocados, dado o conhecido nível de exigência de seus consumidores. É significativo o número de grandes empresas brasileiras que instalaram suas representações européias na Suíça.
Na área dos investimentos suíços no Brasil, é animador que as tradicionais empresas dos setores farmacêutico, alimentício e de serviços estejam reforçando sua presença em nosso país. Em julho de 2007, por exemplo, tive o prazer de comparecer à inauguração de novas unidades produtivas da Novartis no Brasil. O grupo continua em sua estratégia de ampliar atividades produtivas no país, como se denota no projeto de instalação de uma fábrica de vacinas contra a meningite.
Persiste, assim, um quadro bastante positivo para as relações entre o Brasil e a Suíça, e mais uma vez faço notar a valiosa contribuição que a SWISSCAM tem prestado à comunidade empresarial com interesses recíprocos nos dois países.