Mensagem do Embaixador da Suíça no Brasil
Relatório Anual 2006; pág. 31
Para a Suíça, o crescimento do Brasil é muito importante porque significa melhoras nas relações bilaterais, sobretudo no que diz respeito a comércio e investimentos. As estatísticas de hoje mostram, felizmente, que o comércio bilateral saiu da estagnação observada nos últimos anos e ingressou numa nova dinâmica.
Segundo os números da Administração Aduaneira Suíça, no comparado com 2005, as exportações suíças para o Brasil cresceram 28,4% em 2006, enquanto as importações de produtos brasileiros aumentaram 8%. Já o investimento direto suíço registrou novo recorde em 2005, totalizando, de acordo com dados do Banco Nacional da Suíça, 6,5 bilhões de francos suíços.
Esses números resultam, principalmente, da boa conjuntura internacional e do crescimento econômico observado nos dois países. E, ao que tudo indica, essa evolução se intensificará nos próximos anos. Isso porque: O governo suíço, em dezembro de 2006, formulou uma nova estratégia para definir prioridades, a chamada estratégia BRIC. Essa medida dá destaque às relações com os grandes países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China;
A Ministra da Economia da Suíça, senhora Doris Leuthard, elegeu o Brasil como primeiro destino entre os países BRIC para uma missão econômica, formada por altos funcionários do ministério e 15 empresários de setores estratégicos. Essa delegação se encontrou, em fevereiro, com o presidente Lula e com os ministros de Relações Exteriores, Desenvolvimento, Fazenda e Agricultura;
Juntamente com o ministro das Relações Exteriores, a ministra Doris Leuthard assinou um Memorando de Entendimento. Esse documento cria a Comissão Mista para Relações Comerciais e Econômicas, cujo principal objetivo é reforçar as condições básicas para o desenvolvimento harmonizado e a diversificação dos fluxos recíprocos de comércio e investimento;
A delegação ficou impressionada com o desempenho e a capacidade do Brasil no setor de biocombustíveis. A ministra mostrou disposição em facilitar a aquisição de bioetanol brasileiro e examinar possíveis parcerias na pesquisa sobre bioenergia; A “LOCATION Switzerland”, organismo oficial da Suíça para atrair investimentos estrangeiros, promove um seminário em São Paulo, em março de 2007.
Tanto Brasil quanto Suíça vislumbram o crescimento econômico. Crescimento, porém, implica investimentos adicionais, quer com fundos públicos ou privados. Cabe às empresas brasileiras e estrangeiras trabalhar pela expansão dos mercados, pelo aumento da produção e pela criação de novos empregos. É, certamente, intenção do setor privado fazer tudo isso. No entanto, um dos pré-requisitos para tal mudança é a segurança oferecida por leis estáveis e claras.
As empresas suíças, várias delas presentes no Brasil há mais de 80 anos, continuam entusiasmadas com o tamanho e o potencial do mercado brasileiro. Elas – e também novos investidores potenciais – estão dispostos a contribuir para a aceleração do crescimento. Como contrapartida, porém, gostariam de acordos bilaterais equilibrados, que evitassem a bi-tributação e favorecessem a promoção e a proteção mútua de investimentos.
A ministra Doris Leuthard tocou nesses dois pontos com os vários interlocutores governamentais em Brasília. Quem sabe, dentro dessa dinâmica do PAC, o governo e o Congresso se vejam dispostos a rever algumas posições do passado.