Mensagem da Embaixadora do Brasil na Suíça

25/03/2009
Maria Stela Pompeu Brasil Frota

Relatório Anual 2008; pág. 25
http://www.swisscam.com.br/edicao-2008.html
Antes de assumir a Embaixada em Berna, em novembro de 2008, tive o prazer de visitá-los na Câmara de Comércio Suíço-Brasileira e de conhecer empresas suíças instaladas no Brasil. O investimento suíço está presente no Brasil há várias décadas e inclui marcas que lograram profunda identidade com os hábitos dos consumidores brasileiros. O Brasil valoriza a tradição de qualidade e respeito aos trabalhadores dessas empresas, bem como sua contribuição à geração de empregos.

A crise econômico-financeira que marca a conjuntura atual representa um desafio tanto para o Brasil quanto para a Suíça, países com fundamentos econômicos sólidos e trajetória de crescimento sustentado nos últimos anos. A globalização acelerada da economia e das finanças permitiu que países desenvolvidos e em desenvolvimento pudessem compartilhar os benefícios da maior integração econômica nos momentos de abundância, mas também os tornou mais interdependentes nos momentos de dificuldade como o atual. Os líderes de nossos países deparam-se agora com o desafio de atuar em várias frentes pela estabilização do sistema financeiro mundial e minimizar o impacto das flutuações dos mercados de capitais sobre as economias.

No plano internacional, os governos buscam evitar atitudes que tornem a situação mundial ainda mais grave. Como tem afirmado o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, este é o momento para que os países aumentem o comércio e o investimento internacionais, de maneira a afastar o risco de uma repetição da depressão dos anos 30. Naqueles anos críticos, barreiras protecionistas contribuíram para o aprofundamento e o prolongamento da crise.

Nessa linha, o Brasil se empenha em intensificar o relacionamento com os principais mercados. A Suíça, nesse contexto, é um parceiro prioritário. O ingresso total de investimentos diretos da Suíça no Brasil em 2008 foi de US$ 772 milhões. Essa cifra faz da Suíça um dos principais investidores no Brasil; mas há ainda espaço para maior incremento dos fluxos de investimentos. Existem imensas oportunidades na economia brasileira, que recompensarão os investidores com visão de longo prazo. Conforme apontado pela OCDE, o Brasil é um dos países em melhor situação para resistir aos efeitos negativos da propagação da crise financeira, podendo mesmo sair fortalecido em termos relativos quando iniciar-se a recuperação da economia mundial.

Sublinho também a tendência recente ao crescimento dos investimentos brasileiros no exterior, que assinala o novo papel do Brasil como exportador de capitais. A expansão da atuação internacional das empresas brasileiras é sinal da crescente confiança dos empresários na sua capacidade de administrar negócios num ambiente econômico globalizado. A Suíça, um país que oferece condições privilegiadas para a atividade empresarial, é candidato natural para o crescimento internacional de nossas empresas, já sendo observados avanços na presença comercial brasileira em solo suíço.

Na esfera comercial, o intercâmbio Brasil-Suíça tem dado mostras de continuado dinamismo. Em 2008, o valor das exportações brasileiras para a Suíça atingiu US$ 1,46 bilhão, com crescimento de 26% em relação a 2007. Ultrapassou, assim, o recorde de US$ 1,15 bilhão alcançado no ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil. As importações brasileiras de produtos suíços tiveram, no mesmo período, incremento de 3%, chegando a US$ 2,25 bilhões. Verificou-se, portanto, em 2008, não apenas um aumento da corrente de comércio entre os dois países, mas também maior equilíbrio nesse intercâmbio.

As principais exportações suíças para o Brasil incluem produtos, como bens de capital, que atendem ao interesse brasileiro na modernização de seu parque industrial. A redução do déficit comercial do Brasil com a Suíça indicaria, por sua vez, a perspectiva de maior competitividade dos produtos nacionais no mercado suíço, bem como melhoria na composição das exportações brasileiras, em que recentemente passaram a figurar produtos de alta tecnologia, como aviões.

Gostaria, por fim, de abordar brevemente o momento positivo das relações Brasil-Suíça, que contribui para a consolidação do intercâmbio econômico bilateral. Em agosto de 2008, por ocasião da visita ao Brasil da Conselheira Federal para Assuntos Exteriores, Micheline Calmy-Rey, foi assinado o memorando de entendimento para o estabelecimento de um plano de parceria estratégica entre Brasil e Suíça, que permitirá aos dois países aprofundar o diálogo em temas de interesse comum das agendas política, econômica e de cooperação. Brasil e Suíça mantêm, ainda, uma Comissão Mista de Relações Econômicas e Comerciais, que realizará sua segunda reunião em março de 2009. Trata-se de um grupo consultivo, que discute oportunidades de ampliação do relacionamento econômico bilateral e estuda formas de redução de barreiras ao comércio e ao investimento recíprocos. Outra área promissora de cooperação é a de ciência e tecnologia. Ambos os países estão engajados na atualização do acordo existente de cooperação em ciência e tecnologia, assinado em 1968. Nesse campo, já há algumas iniciativas em curso, como a colaboração entre o Instituto para o Desenvolvimento Integrado do Estado de Minas Gerais (INDI) e o Centro Suíço para Eletrônica e Microtecnologia (CSEM).

Existe, portanto, grande potencial de ampliação da parceria entre o Brasil e a Suíça, tanto na vertente do relacionamento econômico, quanto na do diálogo político. Ao manter o engajamento mútuo, por meio da sustentação dos investimentos recíprocos, do aumento do comércio e da cooperação no encaminhamento de temas de interesse comum, os dois países estarão melhor posicionados para superar as turbulências do presente e contribuir para um sistema internacional mais justo e equilibrado, um objetivo compartilhado por nossas sociedades.

Berna, fevereiro de 2009

Date : 2009-04-21 21:03:38