Saúde

31/03/2011
José Henrique do Prado Fay, Superintendente Executivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Editorial Swisscam Magazine 64
http://www.swisscam.com.br/edicao-64-foco-saude.html

De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano, apresentado no último mês de novembro pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa de vida no mundo teve um acréscimo significativo nas últimas quatro décadas. Segundo o estudo, neste período, superamos a média dos 59 anos alcançada em 1970 e chegamos a 2010 com uma esperança de vida de 70 anos.

Este aumento nos faz refletir um pouco sobre longevidade. Hoje vivemos mais, mas será que vivemos bem?

Podemos perceber que, hoje, os Modelos Globais de Atenção à Saúde enfatizam suas ações, assim como a maior parte de seus recursos, em programas e campanhas desenvolvidos para atenuar sintomas e promover a cura. Mas, afinal, será mais oneroso prevenir ou remediar? Será que ações de promoção do bem-estar não resultariam também em uma ampliação da esperança de vida, mas com acréscimo de qualidade?

Avaliando com a devida atenção, percebemos que em muitos países os programas e tratamentos curativos são, na maioria das vezes, muito mais custosos do que simples medidas de precaução que, culturalmente, poderiam acompanhar os cidadãos do nascimento até a vida adulta.

Hoje, com amplo acesso às informações sobre a disseminação de doenças e, principalmente, sobre as formas de prevenção, desfrutamos de autonomia para driblar o formato engessado do "remediar" e de liberdade para aderir e estimular práticas que resultem no bem-estar e na qualidade de vida.

É imperativo reconhecer os benefícios alcançados por meio da pesquisa e dos avanços tecnológicos de nossa medicina curativa. Os investimentos em programas que estimulam a saúde integralmente devem merecer mais atenção, deles decorrendo, além do aumento da esperança de vida, a longevidade com mais bem-estar.

Como consequência, ainda, os gastos totais suportados pela sociedade para manter a saúde dos cidadãos poderiam ser menores no longo prazo.

O nosso desafio é investir, hoje, nas mudanças que devemos fazer na direção dos programas de saúde voltados para a educação e prevenção, com a perspectiva de que, no futuro, viveremos mais e com melhor qualidade.

 

José Henrique do Prado Fay é Superintendente Executivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.