Interculturalidade

01/10/2010
Cleyton e Angela Heuberger/ Veronika Candelaria Gertrude Reichenberger/ Rolf Rauschenbach/ Tjerk Brühwiller/ Jeunesse Brunner

Editorial Swisscam Magazine 62
http://www.swisscam.com.br/edicao-62-foco-interculturalidade.html

"Só se vê bem com o coração" (A.Saint-Exupéry)

Apresentamos nesta edição depoimentos de pessoas que viveram ou vivem na pele a experiência da interculturalidade. Agradecemos gentilmente a cada uma delas pela contribuição.

Cleyton e Angela Heuberger

Quando saí do Brasil no inal do ano 2000 para ir estudar na Suíça, tinha uma ideia dos suíços como pessoas frias reservadas e de pouca tolerância. Mas fiquei surpreso, no sentido positivo, com o multiculturalismo no país (cerca de 25% da população são estrangeiros vindos de todos os continentes). Tenho que dizer que para fazer amizade com os suíços foi mais complicado que com os outros, mas não impossível, tanto que acabei conhecendo o amor e me casando com
uma pérola rara suíça. Para minha esposa que vem de uma cidade de apenas 3.400 pessoas (Mörschwil, cantão de St. Gallen) e vive hoje comigo em São Paulo, a mudança foi impressionante. Ela adora o grande coração e o bom humor natural do povo brasileiro, mas acha que os suíços são mais organizados no dia a dia.
Ela admira muito nossa abertura de comunicação e cada dia aqui para ela é uma aventura.

Veronika Candelaria Gertrude Reichenberger

Durante toda minha vida não morei mais de 4 anos em um país. Nascida na Suíça de pai austríaco e mãe brasileira, já morei nas Filipinas, Nova
Zelândia, Japão, Suíça, Inglaterra e agora Brasil, onde talvez baterei meu recorde. Esta vida me levou a ter no dia a dia uma mistura de costumes
de culturas diferentes. Por exemplo, adoro comer com hashi em casa, independente da comida que estou comendo, mesmo que seja arroz com feijão.
Não gosto de usar garfo mas sim colher para comer, algo típico das Filipinas e quando estou no Brasil e não quero que ninguém me entenda, converso em francês com minha irmã. Falo e escrevo em diversas línguas mas por im não falo nem escrevo perfeitamente em nenhuma. Acabo recebendo olhares estranhos quando, ao falar português sem sotaque, não sei escrever alguma palavra básica como por exemplo ‘duzentos'.

Rolf Rauschenbach

Pisei em terras brasileiras pela primeira vez há treze anos, voltei várias vezes como turista e, dessa vez, vou permanecer durante dois anos como pós-doutorando da USP, dando aulas e comparando mecanismos de participação política no Brasil e na Suíça. É marcante o calor humano do povo brasileiro, a habilidade de
transformar qualquer situação em um evento prazeroso, também impressiona a diversidade que o Brasil oferece em todos os aspectos. Chama a atenção o fato de que muita gente tem que lutar pela sobrevivência, a desigualdade social é grande, falta infraestrutura, sem citar outras dificuldades que o brasileiro conhece bem. Viver no Brasil transformou-me em outra pessoa, mudou minha visão do mundo, minha maneira de ser. O confronto com facetas diferentes das que
conheci na Suíça foi um processo enriquecedor. Tudo isso criou em mim gratidão e o desejo de retribuir ao povo brasileiro.

Tjerk Brühwiller

Não basta conhecer o idioma para se achar em um país estranho. Só quem entende a história, o ritmo e a alma de um país é capaz de entender seu povo. Só quem se abre para uma cultura diferente pode se estabelecer nela. Embora a cada dia eu consiga fazer isto um pouquinho melhor, eu sei que no Brasil eu sempre serei um "gringo".

Jeunesse Brunner

Uma das experiências mais belas de morar como expat é a oportunidade que você tem de ser a ponte entre várias culturas. Você vai compreendendo na hora de se integrar nos costumes do novo país que as divergências que possam existir convertem-se em pequenas e quando percebemos isso com respeito, as nossas diferenças vão se tornando uma nova forma de crescimento.