Terceira Idade

01/07/2009
Jeanete Liasch Martins de Sá
Doutora em Serviço Social, Coordenadora da Universidade da 3ª. Idade na PUC Campinas.
Editorial Swisscam Magazine 57
http://www.swisscam.com.br/edicao-57-foco-terceira-idade.html

Ensinar e aprender na Universidade da Terceira Idade: uma atividade prazerosa


O que faz com que um aluno da Universidade da 3ª. Idade permaneça dez, quinze, dezenove anos consecutivos, num curso de atualização cultural?

O vínculo duradouro a um curso livre que não tem por objetivo "formar" ninguém, só se justifica por estar relacionado a uma atividade prazerosa.

O "tempo pedagógico" tem uma dimensão diferente em relação à aprendizagem nessa fase da vida. Ele não é medido pelo chronos - horas, dias, meses, anos, mas pelo kairós - o tempo vivencial, medido pela "fruição".

Para os alunos veteranos não basta apenas viver. É preciso existir, transcender, conforme depoimentos por eles apresentados:

. "Devemos participar ativamente da vida, seja em que idade for. Sempre gostei muito de estudar e isto foi um prêmio, pois agora tenho tempo para realizar coisas que me dão prazer".

. "Na Universidade eu posso não só receber, mas também passar experiências e isso me faz sentir muito importante e respeitada".

. "Aprendi a compreender melhor meu marido e filhos, ter um diálogo franco e sincero; discernir melhor minhas próprias experiências".

Na Universidade da 3ª. Idade alunos e professores interagem, trocam saberes, numa relação profundamente humana e humanizadora, conforme expressa a professora de Biologia:

. "Aqui eu trabalho com maior liberdade e desenvoltura. O trabalho tem um ar de festa, de alegria, que invade o coração, a mente e o corpo inteiro. Caminhar com alunos desse curso é uma experiência de comunhão. Eu fico impregnada pelo carinho que recebo e dôo-me com responsabilidade e respeito. Fecundo e sou fecundada ao mesmo tempo".

De um lado temos o conhecimento científico. De outro, a sabedoria própria do idoso, necessária a um mundo global e complexo que lida, ao mesmo tempo, com certezas e incertezas, exigindo adaptações rápidas e constantes, intuição e conhecimento pragmático.

O confronto entre esses saberes resulta na necessária equiparação entre processos vitais e processos cognitivos, entre ciência e humanidade.