Comércio Bilateral

Introdução

Brasil e Suíça possuem um relacionamento comercial harmonioso e de longo prazo. O Brasil é responsável por 22% dos negócios suíços na América Latina. O Brasil está na 24ª posição no ranking dos mais importantes parceiros comerciais da Suíça em 2015.

Na última década, o crescimento do comércio bilateral entre os dois países foi de 237%. Cada vez mais, o Brasil está despertando o interesse de pequenas e médias empresas suíças e, enquanto isso, as empresas brasileiras procuram contatar mais e mais empresas suíças a fim de conquistar novos mercados e buscar novas tecnologias e serviços em diversos setores.

Entre 2005 e 2015, as exportações brasileiras para a Suíça aumentaram 360% em valor. O Brasil vende principalmente equipamentos e instalações portuárias, ouro em barras, alumínio, fumo, arroz, carne bovina, máquinas e aparelhos mecânicos, café, suco de laranja, entre outros. Já os principais produtos importados pelo Brasil da Suíça são produtos farmacêuticos, produtos químicos, inseticidas, café, equipamentos.

Além do campo econômico, as duas nações mantêm uma excelente relação diplomática no setor cultural e político e realizam reuniões ministeriais e consultas políticas regulares. Eles também já assinaram importantes acordos bilaterais em áreas como comércio, aviação e assistência legal.

De acordo com os consulados da Suíça no Brasil, 15.730 suíços vivem no país, enquanto a comunidade brasileira na Suíça soma oficialmente 19.751, segundo dados do ministério de migração na Suíça.

 

Balança comercial

Segundo o World Fact Book da CIA, o Brasil exportou no ano de 2015 US$ 190.1 bilhões e importou US$ 172.4 bilhões, resultando em um superávit de US$ 17.7 bilhões na balança comercial. Em 2015, de acordo com o MDIC, o Brasil ficou na 25ª posição entre os maiores exportadores e em 28ª entre os importadores. A Suíça exportou em 2015 um total de US$ 289.8 bilhões e importou US$ 251.8 bilhões, sendo em 2015 o 16o país que mais vendeu para o exterior e o 17o que mais comprou de outros países.

Quanto ao intercâmbio comercial entre os dois países, foi registrado pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior) que o Brasil exportou para a Suíça US$ 1.92 bilhões e importou de lá US$ 2.35 bilhões em 2015.

As principais empresas no Brasil exportadoras para a Suíça em 2015 foram respectivamente: Estaleiro Brasa Ltda, Kinross Brasil Mineração, Anglogold Ashanti Mineração, Albrás, Companhia Goiana de Ouro, Marsam Metais, Mineração Fazenda Brasileiro, Beadell Brasil Ltda, NX Gold S.A. etc.

As principais instituições no Brasil importadoras da Suíça em 2015 são respectivamente: Novartis, Syngenta, Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, Bayer, Roche, Caterpillar, Janssen-Cilag Farmacêutica, Nestlé, Givaudan, etc.

Destaques Comerciais

A Swiss Re Corporate Solutions Ltd, braço de seguro comercial do Grupo Swiss Re, e a Bradesco Seguros S.A., empresa controlada pelo Banco Bradesco S.A., assinaram contratos definitivos, segundo os quais a Bradesco Seguros irá aportar sua carteira comercial de grandes riscos na Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros S.A. (SRCSB). Os contratos incluem o acesso exclusivo da SRCSB à rede de distribuição da Bradesco Seguros. Com o fechamento da transação, a Bradesco Seguros assumirá 40% da participação acionária na SRCSB, enquanto a Swiss Re Corporate Solutions Ltd reterá 60% de participação. Como resultado da integração, a SRCSB se tornará uma das líderes no mercado de seguros comerciais de grandes riscos no Brasil.

A Roche anuncia os resultados financeiros de 2015 apresentando um forte crescimento nas vendas de 5%, que chega a 48,1 bilhões de francos suíços. Os valores foram impulsionados principalmente pelas vendas farmacêuticas nos Estados Unidos e pela alta demanda por produtos de imunodiagnóstico.
O Brasil apresentou excelente desempenho com crescimento de 10% e faturamento de R$ 2,6 bilhões no último ano, na Divisão Farmacêutica, sendo 34% de vendas no mercado público e 66% na área privada. "A Roche se orgulha de ter feito, em 2015, a diferença na vida de mais de 186 mil pacientes, por meio de tratamentos inovadores. Ano também marcado por nosso investimento na fábrica do Rio de Janeiro: são R$ 300 milhões nos próximos cinco anos. Nossa visão é a longo prazo e vamos manter o nosso compromisso com o Brasil," afirma Rolf Hoenger, presidente da Roche Farma Brasil.

Curaden - A fim de atender a crescente demanda por seus produtos para higiene dentária e para alcançar independência na fabricação, a Curaden formou uma nova empresa, a Curaplast. A partir de agosto, a Curaplast tem produzido escovas de dente para a marca CURAPROX, que são exportadas para 60 países. Espera-se fabricar 12 milhões as escovas por ano.

O BTG Pactual informou que assinou acordo definitivo para que o banco sediado na Suíça EFG International adquira o BSI por entre 1,5 bilhão e 1,6 bilhão de francos suíços, sujeito a ajustes. O BTG disse que vai manter participação de entre 20% e 30% da entidade combinada e receberá pagamento em caixa de cerca de 1 bilhão de francos suíços. A conclusão do negócio está sujeita a aprovações societárias e regulatórias. O negócio ocorre apenas cinco meses depois de o BTG ter concluído a aquisição de sua unidade suíça BSI.

A empresa Barry Callebaut, numa estratégia de longo prazo para o Brasil e América Latina, amplia sua fábrica em Minas Gerais. E confirma a expectativa de crescimento da demanda com aumento de 18,8% no valor das vendas (em francos suíços) na América no Sul entre setembro de 2014 e maio de 2015.

A empresa suíça Straumann, líder mundial de implantes dentários, resolveu acelerar o processo de aquisição da brasileira Neodent. Numa tacada, desembolsou 210 milhões de francos e completou a aquisição da líder brasileira de implantes. O plano, segundo a liderança da empresa, é turbinar o crescimento no Brasil e avançar na América Latina.

A Clariant, uma das líderes mundiais em especialidades químicas, anuncia que concluiu, em 1º de julho de 2015, a aquisição dos 50% restantes das quotas da Companhia Brasileira de Bentonita (CBB) que pertenciam à Geosol, empresa com atuação global em serviços analíticos para a exploração de minérios.

A multinacional suíça Franke, que se destaca mundialmente na fabricação de produtos para cozinha, apresentou oficialmente, em março de 2015, uma de suas mais modernas fábricas, localizada em Joinville. Construída com conceitos de sustentabilidade e ergonomia, a planta, localizada no Distrito Industrial, recebeu investimentos de R$ 30 milhões. Ela produz, principalmente, pias, torneiras, cubas e tanques, com linhas populares e outras voltadas ao segmento premium.

Oportunidades de Negócios

Os investimentos projetados para o Brasil no período 2013-2016 serão de R$ 3.80 trilhões, com aumento de 29% em comparação aos R$ 2.95 trilhões previstos para o quadriênio anterior (2008-2011). É o que mostra a pesquisa Perspectivas do Investimento, elaborada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O aumento do investimento é puxado pela área de logística (aeroportos, transportes rodoviários, ferrovias e portos), dentro do setor de infraestrutura. Segundo o economista-chefe do BNDES, Fernando Pimentel Puga, o investimento na logística do país dobrará nos próximos anos. Para ele, o aumento é fruto do esforço governamental para melhorar a competitividade da economia e a eficiência. Os setores mais voltados para o consumo das famílias também estão com boas perspectivas e são influenciados pela continuidade do movimento de migração das classes sociais D e E para a classe C, e da criação de um mercado de consumo de massa.

A Suíça e o governo suíço demonstram grande interesse em tecnologias para a geração e utilização de energia limpa e renovável, favorecendo o Brasil no campo dos biocombustíveis e etanol. Nessa área as oportunidades residem tanto na venda direta de combustíveis alternativos como também na transferência de tecnologia e parcerias produtivas entre empresas dos dois países.

 

Investimentos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, semestralmente são divulgados relatórios com informações sobre investimentos produtivos no Brasil. Segundo o relatório de 2015, a Suíça, em conjunto com outros países parceiros, investiu cerca de US$ 187 milhões, conforme tabela abaixo:  

 

Empresa

Capital de Origem

Descrição do Investimento

Valor (US$)

ROCHE

Suíça

Investimento para expansão da sua unidade de produção de medicamentos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro (RJ), com ampliação em 10% da capacidade atual da fábrica

106,761,566

SIG COMBIBLOC

(ONEX)

Suíça

Investimento para ampliação da unidade que produz embalagens cartonadas assépticas, como as usadas para leite longa vida, elevando a capacidade em cerca de 40%

71,895,425

ECOSOLIFER AG

Suíça

Investimento para instalação de uma fábrica de painéis fotovoltaicos, que irá montar células importadas, com previsão de produção de 80 megawatts de painéis por ano.

8,700,000

                                          Fonte: www.mdic.gov.br 

 

As exportações principais do Brasil são Minério de Ferro ($26,9 Bilhões), Soja ($23,6 Bilhões), Crude Petroleum ($16,4 Bilhões), O açúcar bruto ($9,8 Bilhões) e Carne de aves ($7,21 Bilhões), usando a revisão de 1992 da classificação HS (Sistema Harmonizado). Suas principais importações são Petrolíferos refinados ($17,2 Bilhões), Crude Petroleum ($14 Bilhões), Petróleo ($8,24 Bilhões), Carros ($7,7 Bilhões) e Peças de veículos ($7,17 Bilhões).

Na indústria, a expectativa é de crescimento real do investimento de 3,5% a.a., impulsionado por Petróleo & Gás. Chamam a atenção também os desempenhos nos setores Aeroespacial e Complexo Industrial da Saúde. Ambos contam com programas de compras públicas, que alavancam a demanda em defesa e saúde. Em contraste, os setores intensivos em capital apresentam crescimento baixo ou mesmo queda, seja por causa do menor dinamismo da demanda mundial, seja por conta da maturação de um ciclo de investimentos em ampliação da capacidade produtiva no país. Nesse caso, a expectativa é de que o nível de utilização da capacidade volte a subir antes de vermos um ciclo mais robusto de investimento.

Na infraestrutura, as maiores taxas de crescimento estão em setores ligados à logística: Portos, Ferrovias e Aeroportos. Entre os investimentos mapeados, estão aqueles feitos por meio de concessões e parcerias público-privadas, contemplados pelo Programa de Investimento em Logística (PIL). Outro destaque na infraestrutura é Telecomunicações, com novo ciclo de investimentos resultantes da introdução do 4G.

Atualmente, os setores de Petróleo & Gás e Infraestrutura de Logística terão o importante papel de impulsionar os investimentos da economia, conforme se observa na Tabela 1. Nesses dois casos, as perspectivas pouco dependem da conjuntura econômica nacional ou internacional, especialmente na infraestrutura, em que existe forte demanda não atendida. No primeiro caso, dependem da exploração de petróleo do pré-sal. No segundo, da realização de concessões e parcerias público-privadas.

Tabela 1: Perspectivas do investimento 2015-2018 (posição em novembro de 2014)  

Setores*

Em R$ bilhões de 2014

 

2010-2013

2015-2018

Variação %

Petróleo e gás

358

509

42,1

Extrativa mineral

44

40

(8,0)

Automotiva

58

59

0,4

Papel e Celulose

20

21

2,5

Indústria Química

22

22

2,6

Siderurgia

25

12

(50,3)

Complexo Eletrônico

22

28

25,9

Complex. Ind. da Saúde

12

13

11,9

Aeroespacial

4

12

187,0

Alimentos

58

49

(15,8)

Sucroenergético

41

25

(40,5)

Demais da Indústria

112

121

8,0

Indústria

775

909

17,3

Elétrico

191

192

0,5

Telecomunicações

102

141

37,8

Infraestrutura Social

53

87

64,6

Rodovias

62

80

29,1

Ferrovias

23

45

98,9

Portos

15

36

141,0

Aeroportos

11

16

49,5

Infraestrutura

457

598

30,8

Residências

810

963

19,0

Agricultura e Serviços

1469

1631

11,0

Total

3511

4101

16,8

Fonte: Comitê de Análise Setorial/BNDES.            

* Setores só com dados de perspectivas para 2015-2018: Bebidas (Indústria)

– R$ 32 bilhões; Resíduos Sólidos Urbanos (Infraestrutura) – R$ 5 bilhões. 

Empresas suíças no Brasil

Cerca de 300 companhias de origem suíça mantém operações no Brasil. Grandes empresas como ABB, Adecco, Barry Callebaut, Bobst, Bühler, Clariant, Credit Suisse, Dufry, Givaudan, Holcim, Liebherr, Lonza, MSC, Nestlé, Novatis, Panalpina, Precious Woods, Roche, Elevadores Atlas Schindler, SGS, Sig Combibloc, Sika, Sulzer, Swatch, Swiss International Air Lines, Swiss Re, Swissport, Syngenta, Victorinox, Zurich, UBS entre várias outras têm uma significativa presença no mercado brasileiro, muito utilizado como plataforma de exportação para os demais países da América Latina. Algumas delas estão presentes no Brasil há mais de 90 anos.

Empresas brasileiras na Suíça

Algumas das principais empresas brasileiras que investem na Suíça são: CBMM, Libero, Vale, Vicunha, Banco Safra, Stefanini IT, Suzano, BTG Pactual, VIS Investments, Welle Laser. Contudo, o Brasil se faz presente também através de pequenas e microempresas montadas por cidadãos brasileiros. São escritórios de advocacia, agências de viagem, restaurantes, lojas e salões de beleza (uma lista encontra-se disponível no site da CIGA Brasil: www.cigabrasil.ch).