Governo obtém lucro de US$ 1,1 bilhão com o UBS
O governo suíço obteve ontem um lucro de 1,2 bilhão de francos suíços (US$ 1,1 bilhão) sobre seu investimento de 10 meses no UBS, no que executivos de bancos envolvidos chamaram de retorno "em estilo de private equity". A transação estava sendo esperada depois do acordo de conciliação alcançado nesta semana, após uma longa e amarga disputa travada entre o banco e as autoridades tributárias dos EUA, e deixa o UBS livre de influência governamental e concentrado inteiramente nos seus próprios assuntos.
Bern recebeu quase 5,5 bilhões de francos suíços pelos 5,6 bilhões de francos suíços em notas obrigatoriamente conversíveis (MCN, na sigla em inglês) que havia adquirido em outubro, como parte de um plano de socorro governamental para resgatar o maior banco da Suíça.
As MCNs foram convertidas em aproximadamente 332 milhões de ações do UBS - uma participação de praticamente 9%. Em seguida, as ações foram oferecidas a 16,50 francos suíços, num desconto de 1,4% em relação à cotação de fechamento na quarta-feira, e no limite superior do intervalo de variação indicado, de 16 francos suíços a 16,50 francos suíços. A demanda pelas ações foi quatro vezes superior à oferta.
Em separado, o UBS concordou em pagar ao governo aproximadamente 1,8 bilhão de francos suíços adiantados em lugar do pagamento futuro de juros sobre os títulos, deixando as autoridades suíças com um total de 7,2 bilhões de francos suíços - ou um retorno anualizado de cerca de 26%.
A coalizão governante favorável à iniciativa privada tem reiterado que aplicaria uma abordagem de "não-intervenção" em relação ao banco e que venderia a sua participação o mais cedo possível. Apesar disso, o banco se tornou um alvo político em meio às exigências dos partidos de esquerda para receberem representação no conselho de administração e para impor limites à remuneração dos executivos. Os partidos de esquerda disseram ontem que o governo deveria ter esperado até que o banco, que perdeu 1,4 bilhão de francos suíços no segundo trimestre, recuperasse estabilidade duradoura. Analistas saudaram o acordo, liderado pelo Credit Suisse,Morgan Stanley e o UBS; o Credit Suisse assessorou o governo suíço.