Fracasso eletrizante

14/07/2015
Frederico Turolla

Pezco Microanalisys

Em 11 de setembro de 2012, a Medida Provisória 579 prometia reduzir o custo da energia. Foi convertida na lei 12.783, de 2013. Duas séries de dados falam por si sobre o que aconteceu depois disso.

A primeira diz respeito aos preços da energia elétrica residencial, nas maiores metrópoles brasileiras. Uma forte queda se seguiu à Medida Provisória, o que parecia validar a promessa da Presidente. Mas logo veio a realidade, com uma brutal elevação. Desde setembro de 2012, a energia elétrica residencial já subiu 43,6%.

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A segunda é o PIB setorial da produção e distribuição de eletricidade, gás e água, cujo principal componente é a energia elétrica.

O PIB está em queda, mas o segmento de utilidades mostra uma derrocada forte. Enquanto em 10 trimestres desde a medida, o PIB da economia brasileira acumulou uma queda de 2,4%, mas o segmento de utilidades despencou 10%. A última queda significativa desse componente do PIB aconteceu justamente no apagão de 2001. O gráfico mostra o índice do acumulado em 4 trimestres.

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O acontecido pode ser atribuído, parcialmente à crise hídrica. Porém, a causa principal deve ser encontrada na inacreditável capacidade que tem o governo brasileiro de desafiar o bom senso.

Um fracasso dessa magnitude, em um setor crítico para a economia, deveria nos servir de lição! O problema é que não foi reconhecido pelo governo, que ainda não restaurou os a saúde dos mecanismos de planejamento e continua desafiando a boa regulação setorial. Esta é uma questão crítica para a reversão das expectativas negativas sobre a economia brasileira.