Filantropia organizada

27/01/2015


Instituto Azzi

O Brasil reúne em seu território continental muitas realidades distintas, temos o luxo da parte privilegiada de São Paulo, cidade com um dos maiores custos de vida do mundo, que contrasta com a periferia da própria São Paulo com regiões com saneamento básico inadequado, difícil acesso ao transporte público e alta criminalidade. Vemos as lindas praias, sofisticados hotéis e estrutura para turismo nas capitais do Nordeste, mas também enxergamos uma realidade africana no sertão dessa região, com muita miséria e vilas quase invisíveis ao resto do país.

Mesmo com todas estas contradições, sob o ponto de vista da filantropia, o importante é entender que todos os avanços não tem beneficiado igualmente a todos.

Analisar os problemas que o Brasil enfrenta não é o melhor caminho para quem busca fazer um investimento social, esse caminho levará a questões importantes, complexas e relacionadas entre si, que deixará a decisão final de investimento baseada em alguns poucos critérios arbitrários.

O primeiro benefício direto é que o doador dedicado a uma causa que acredita tem uma tendência a fazer investimentos maiores. O segundo benefício direto é que esses investimentos também tendem a ser mais duradouros. Ambos benefícios para as organizações que são apoiadas. Mas também trazem junto com eles um maior interesse do doador, que resulta inevitavelmente num maior acompanhamento, interesse e cobrança do doador. E é desse envolvimento que vem o terceiro benefício, aquele à causa como um todo. Um doador presente, interessado e envolvido aprende continuamente sobre a problemática da questão social ou ambiental com a qual está envolvido. Esse conhecimento o tornará um defensor da causa com, perdoe a redundância, conhecimento de causa. Envolverá mais pessoas, fará comentários mais embasados em suas rodas de amigo, ampliará o debate daquela questão na sociedade.

No Brasil há várias instituições sérias, com rica experiência e atuação nas mais diversas áreas: educação, saúde, direitos humanos, empreendedorismo, cultura, entre outras.


A escolha da organização a ser apoiada

Já com a causa e o valor do investimento social definidos é o momento de entrar na etapa mais subestimada do planejamento filantrópico: a escolha das organizações. Um ponto essencial é selecionar proativamente as organizações sociais a serem apoiadas, baseando-se em resultados. Investidores devem ter uma postura ativa na procura de quais ações sociais querem apoiar. E sempre considerando como principal critério o impacto social que tal ação causa em detrimento a escolhas baseadas em relacionamento pessoal ou familiar, ou mesmo na capacidade de persuasão da área de captação de recursos.

No Instituto Azzi baseamos nosso due dligence na análise de quatro dimensões essenciais:

1. Gestão
2. Transparência
3. Potencial de Impacto
4. Solidez

Planejar e executar a filantropia pessoal não é algo cuja complexidade deva afastar os doadores, mas requer sim uma dedicação e envolvimento maior do que muitos dos filantropos (de fato e em potencial) estão dispostos a oferecer. Não há motivo algum que justifique que a decisão sobre os investimentos financeiros, com suas horas e horas de dedicação - seja por parte do investidor ou de algum assessor, tenha uma relevância tão excessivamente maior nas preocupações de uma família do que as decisões de investimento social. Acredito, inclusive, que o destino do recurso que será usado para modificar a vida de outras pessoas mereça mais cuidado do que a dúvida sobre qual retorno financeiro será maior na medida da segunda casa decimal.

Azzi

 

Para mais informações, acesse www.institutoazzi.org.br e www.institutophi.org.br