Copa de 2014: mais um erro de FHC

26/02/2015
Frederico Turolla

Pezco Microanalisys
A Copa já vai ficando no passado e o tempo decorrido já permite avaliar, com estatísticas, alguns dos resultados do megaevento.

O maior resultado direto tende a vir dos fluxos de turismo receptivo internacional, com mais visitantes estrangeiros ao Brasil. Esperava-se que os estrangeiros, conhecendo mais o Brasil, aumentassem sua despesa por aqui.

De fato, na época do Mundial, a despesa dos gringos aumentou. Os gringos deixaram aqui cerca de US$ 1,6 bilhão apenas nos meses de junho e julho do ano passado, o melhor resultado da história para esses meses.

Comparando com resultado do ano anterior, os meses de junho e julho despejaram, em função da Copa, algo como 1,3 bilhão de reais adicionais na economia brasileira. Está certo, isso é quase nada perto do que gastamos para fazer a Copa, e um valor que é uma ninharia perto do PIB.

O gráfico mostra, nos dados acumulados em 12 meses (que evitam a sazonalidade), o efeito da Copa nas despesas internacionais com viagens ao Brasil. Como os dados estão acumulados em 12 meses e a Copa foi um evento pontual, já está caindo e voltando a patamares normais.

graf Turolla

O problema é que, tomando o ano da Copa (2014) como um todo, o resultado foi apenas ligeiramente superior que o ano precedente. Tomando o ano fechado, a receita com turismo emissivo internacional foi de US$ 6,91 bilhões, ante US$ 6,70 bilhões no ano anterior. Um resultado pífio para um ano de Copa.

Ainda mais surpreendente é que, excluindo os meses de junho e julho, a receita turística do Brasil caiu 6,7% em relação ao mesmo período ano anterior! Depois da Copa, de agosto a dezembro de 2014, o ingresso ficou 7,7% abaixo do mesmo período do ano anterior. Ou seja, a Copa deslocou turismo e, após seu término, ainda não há sinais de que os estrangeiros descobriram o Brasil. Estão gastando menos por aqui.

Ou seja, pelo lado do turismo, a Copa de 2014 não foi um bom negócio para o Brasil, considerando, de um lado, o gigantesco volume de gastos e, do outro lado, a quase ausência de resultados econômicos palpáveis.
Não se deve ter dúvida de que, se esse fato ficar claro, o fracasso será prontamente atribuído a Fernando Henrique Cardoso. A Copa é culpa do FHC!