Comércio Bilateral

Introdução

Brasil e Suíça possuem um relacionamento comercial harmonioso e de longo prazo. O Brasil é responsável por 35% dos negócios suíços na América Latina e é considerado o principal parceiro comercial na região. A Suíça, por sua vez, é o 25º mais importante parceiro econômico do Brasil.

Na última década, o crescimento do comércio bilateral entre os dois países foi de 170%. Cada vez mais, o Brasil está despertando o interesse de pequenas e médias empresas suíças e, enquanto isso, as empresas brasileiras procuram contatar mais e mais empresas suíças a fim de conquistar novos mercados e buscar novas tecnologias e serviços em diversos setores.

A Suíça ocupa o 23º lugar no ranking de países compradores de produtos brasileiros, graças à qualidade desses produtos e eficácia dos negociadores no Brasil. Nos últimos dez anos, as exportações brasileiras para a Suíça duplicaram. O Brasil vende principalmente alumínio, pasta química de madeira, suco de laranja e carne. Já os principais produtos importados pelo Brasil da Suíça são medicamentos, máquinas e produtos químicos.

Além do campo econômico, as duas nações mantêm uma excelente relação diplomática no setor cultural e político e já assinaram importantes tratados em áreas como aviação civil, cooperação técnico-científica e educação.

De acordo com os consulados da Suíça no Brasil, em 2007, 13.956 suíços vivem no país, enquanto a comunidade brasileira na Suíça soma oficialmente 17.332 pessoas (2006), segundo dados do ministério de migração na Suíça.

Balança comercial

De janeiro a dezembro de 2007, o Brasil exportou US$ 160,6 bilhões e importou US$ 120,6 bilhões, resultando em um superávit de US$ 40 bilhões na balança comercial e ficando em 2006 na 24ª posição entre os maiores exportadores e em 27º entre os importadores.

A Suíça, em 2007, exportou um total de US$ 189 bilhões e importou US$ 173 bilhões, sendo em 2006 o 20º país que mais vendeu para o exterior e o 19º que mais comprou de outros países.

Quanto ao intercâmbio comercial entre os dois países, foi registrado pelo Secex (Secretaria de Comércio Exterior) que o Brasil exportou para a Suíça US$ 846 milhões e importou de lá US$ 1,33 bilhão, em 2007.

Este déficit para o Brasil se explica pelo alto valor agregado dos produtos suíços importados como farmacêuticos, máquinas, equipamentos e relógios. Além disso, por sua população reduzida, a Suíça não é um grande mercado consumidor, mas ainda há potencial para o Brasil ampliar suas exportações de alimentos, frutas e produtos processados.

Os principais produtos brasileiros exportados para Suíça são: alumínio, papel e celulose, suco de laranja, carne bovina, aves, aeronaves, máquinas e equipamentos, produtos químicos, fumo etc.

Os principais produtos importados da Suíça pelo Brasil são: produtos farmacêuticos, máquinas e equipamentos, produtos químicos, equipamentos médicos, petróleo, aparelhos de relojoaria, fertilizantes, aparelhos elétricos, carvão etc.

As principais empresas no Brasil exportadoras para a Suíça em 2007 foram: Albras Alumínio Brasileiro, BHP Billiton Metais, Votorantim, Alcoa Alumínio, Fischer Agroindústria, Novartis, Vale, Embraer, Caterpillar, Nacional Ferrosos, Solabia Biotecnológica, Tyco, Doux, Frangosul, Perdigão, Seara, Cutrale, Bertin, Copersucar, Ascot, Souza Cruz, Biotronic Comercial Medica etc.

As principais instituições no Brasil importadoras da Suíça são: Novartis, Syngenta, Carterpillar, Roche, Ministério da Saúde, Petrobras, Bayer, Caraíba, Ciba, Cosipa, Firmenich, Synthes, Rolex, DSM, Medtronic, Cisa, Duty Free, Alunorte, Biotronik, Thomson, Robert Bosch, CNH, Huntsman, ABB, Sadia, Videolar, Meizler, Bobst, Clariant, Agie Charmilles etc.

Destaques Comerciais

Em dezembro de 2006, o banco Credit Suisse adquiriu operações da corretora brasileira Hedging-Griffo, líder no mercado brasileiro de private banking. O valor da transação foi de US$ 294 milhões, o que reforça a posição de destaque do banco no setor de investimentos.

Em 2007 a empresa suíça de alimentos Nestlé inaugurou uma nova fábrica na Bahia, com um investimento de US$ 47 milhões e capacidade de produção inicial de 40 mil toneladas por ano de sorvetes, iogurtes e biscoitos, com espaço de ampliação para 100 mil toneladas anuais.

Em maio de 2006 o banco suíço UBS comprou o banco brasileiro de investimentos Pactual por US$ 2,6 bilhões. O novo banco, UBS Pactual, é atualmente a base da instituição suíça na América Latina (inclusive México).

A Companhia Vale tem sua sede européia localizada em um vilarejo próximo a Genebra. A empresa planeja mais que triplicar seu quadro de funcionários, de 40 para 150 em futuro próximo. Um porta-voz informou que a companhia decidiu reunir na Suíça estruturas antes espalhadas por vários países, porque ela oferece melhores condições de infra-estrutura e localização.

As exportações da Votorantin Celulose e Papel (VCP) - desde as vendas para os países vizinhos na América do Sul até as feitas para clientes do outro lado do mundo - passam em termos contábeis pelo escritório de Zug, o maior paraíso fiscal da Suíça. Suzano e Aracruz, outras empresas do setor, são quase vizinhas, em Nyon, a apenas dez minutos de Genebra.

A Migros, a maior rede de supermercados da Suíça, vai distribuir biocombustível produzido por agricultores de Capanema (PR), que é apresentado como o "primeiro a contemplar princípios ecológicos e igualitários". O grupo suíço se comprometeu a importar 1,5 milhão de litros por ano, mas o volume pode aumentar na medida em que os suíços aceitarem pagar 60 centavos de franco suíço a mais por litro do produto.

Oportunidades de Negócios

As exportações de suco de laranja para a Suíça cresceram 30% em 2007, chegando a US$ 73 milhões. A Suíça vem substituindo o suco de laranja norte-americano pelo brasileiro em razão de problemas de fornecimento enfrentados pelos Estados Unidos, prejudicado entre 2004 e 2005 pelos danos causados por furacões às plantações de laranja na Flórida. Outra grande produtora da fruta, a Califórnia sofreu com geadas em 2006 e 2007.

A Suíça e o governo suíço demonstram grande interesse em tecnologias para a geração e utilização de energia limpa e renovável, favorecendo o Brasil no campo dos biocombustíveis e o etanol. Nessa área as oportunidades residem tanto na venda direta de combustíveis alternativos como também na transferência de tecnologia e parcerias produtivas entre empresas dos dois países.

Investimentos

A Suíça está entre os 15 países que mais investem no Brasil, com investimentos diretos que totalizam de 2000 a 2006 US$ 5,1 bilhões, de acordo com o Banco Central do Brasil. No ano de 2006, o Brasil recebeu da Suíça um total de US$ 1,6 bilhão de investimentos diretos.

Segundo o Banco Nacional da Suíça, em 2006, a Suíça recebeu investimentos diretos no valor de CHF 33 bilhões (US$ 29 bilhões) vindos dos EUA, Holanda, Inglaterra, França, entre outros países. Alguns dos setores na Suíça com incentivos para receber investimentos são: biotecnologia, nanotecnologia, equipamentos médicos e tecnologia de comunicação.

O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de minério de ferro, suco de laranja, café, açúcar e o maior exportador de soja, carne e frango. Detém quase a metade do mercado mundial de jatos regionais e ocupa outras posições de liderança em diversos mercados como o de calçados e refrigerantes (3º), rochas, motocicletas e borracha (5º), cosméticos (6º), papel e celulose (7º), aço (8º), etc. É o quarto maior consumidor de adubo. Possui a segunda maior reserva de florestas naturais, terceira de bauxita e o quinto maior número de celulares do mundo. É o número um em reciclagem de latas de alumínio. Também é um dos maiores produtores de pedras preciosas do mundo, mas não está entre os principais fabricantes de jóias.

No entanto, o Brasil ainda requer grandes investimentos em energia, saneamento básico, malhas rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias, aeroportos e habitação. Os mercados em expansão são: telecomunicações, TI, financeiro, semicondutores, infra-estrutura, bioenergéticos, educação, turismo e lazer.

O país oferece diversas oportunidades para a exploração de energias alternativas, capazes de gerar créditos de carbono, como biocombustíveis (etanol e biodiesel) e potencial eólico e solar.

A tabela abaixo apresenta os anúncios de investimentos por setor, em forte crescimento de 2002 para 2005, bem como a previsão para 2007 a 2010:

Tabela Comercio Bilateral Suíça - Brasil

Empresas suíças no Brasil

Existem no Brasil aproximadamente 300 companhias de origem suíça. Grandes empresas como ABB, Roche, Novartis, Holcim, Ciba, Clariant, Nestlé, Zurich, Serono, Syngenta, Sika, Elevadores Atlas Schindler, Bobst, Swiss Re, Victorinox, Sulzer, Swatch, UBS, Credit Suisse entre várias outras têm uma significativa presença no mercado brasileiro, muito utilizado como plataforma de exportação para os demais países da América Latina. Algumas delas estão presentes no Brasil há mais de 70 anos. Juntas, essas empresas geram cerca de 92 mil empregos diretos e faturam mais de US$ 10 bilhões anuais.

Empresas brasileiras na Suíça

São poucas as multinacionais brasileiras na Suíça: Banco Safra, Vale do Rio Doce, Votorantim, Varig, Aracruz e Vicunha. Contudo, o Brasil se faz presente também através de pequenas e microempresas montadas por cidadãos brasileiros. São escritórios de advocacia, agências de viagem, restaurantes, lojas e salões de beleza (uma lista encontra-se disponível no site da Ciga Brasil: www.cigabrasil.ch). Um bom exemplo disso é a loja Casa Tropical, criada há anos e representante da Editora Abril, que vende livros, CD, DVD etc., produtos genuinamente brasileiros.
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54 | 10/2008
Reciclagem e sustentabilidade
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