Comércio Bilateral

Introdução

Brasil e Suíça possuem um relacionamento comercial harmonioso e de longo prazo. O Brasil é responsável por 40% dos negócios suíços na América Latina e é considerado o principal parceiro comercial na região. A Suíça, por sua vez, é o 20º mais importante parceiro econômico do Brasil.

Na última década, o crescimento do comércio bilateral entre os dois países foi de 300%. Cada vez mais, o Brasil está despertando o interesse de pequenas e médias empresas suíças e, enquanto isso, as empresas brasileiras procuram contatar mais e mais empresas suíças a fim de conquistar novos mercados e buscar novas tecnologias e serviços em diversos setores.

A Suíça ocupa o 42º lugar no ranking de países compradores de produtos brasileiros, graças à qualidade desses produtos e eficácia dos negociadores no Brasil.

Nos últimos dez anos, as exportações brasileiras para a Suíça aumentaram em dez vezes. O Brasil vende principalmente minério de ferro, ouro em barras, alumínio, suco de laranja, carne, álcool etílico e algodão. Já os principais produtos importados pelo Brasil da Suíça são medicamentos, máquinas e produtos químicos.

Além do campo econômico, as duas nações mantêm uma excelente relação diplomática no setor cultural e político e já assinaram importantes tratados em áreas como aviação civil, cooperação técnico-científica e educação.

De acordo com os consulados da Suíça no Brasil, em 2009, 14.653 suíços vivem no país, enquanto a comunidade brasileira na Suíça soma oficialmente 16.503 pessoas (2009), segundo dados do ministério de migração na Suíça.


Balança comercial

No ano de 2009, o Brasil exportou US$ 153,0 bilhões e importou US$ 127,6 bilhões, resultando em um superávit de US$ 25,3 bilhões na balança comercial. Em 2008 o Brasil ficou na 22ª posição entre os maiores exportadores e em 24º entre os importadores.

A Suíça exportou em 2009 um total de US$ 249,7 bilhões e importou US$ 221,3 bilhões, sendo em 2008 o 20º país que mais vendeu para o exterior e o 23º que mais comprou de outros países.

Quanto ao intercâmbio comercial entre os dois países, foi registrado pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior) que o Brasil exportou para a Suíça US$ 1,920 milhões e importou de lá US$ 2,050 milhão, em 2009.

As principais empresas no Brasil exportadoras para a Suíça em 2009 foram respectivamente: Vale, Rio Paracatu Mineração, Anglogold Ashanti, Alcoa, Fischer, Marsam Metais Mineração, Albras Alumínio Brasileiro, BHP Billiton, John Deere, Brasil Foods, Solabia Biotecnológica, Seara, Ascot, Novartis, Caterpillar, Bertin, Embraer, Doux, Frangosul, Cutrale etc.

As principais instituições no Brasil importadoras da Suíça são respectivamente: Novartis, Roche, Syngenta, Carterpillar, Bayer, Ministério da Saúde, Petrobras, Cosipa, Firmenich, Synthes, Rolex, DSM, Medtronic, Cisa, Duty Free, Alunorte, Biotronik, Thomson, Robert Bosch, CNH, Huntsman, ABB, Brasil Foods, Videolar, Meizler, Bobst, Clariant, Agie Charmilles etc.


Destaques Comerciais

Em 2009, a empresa Leica Geosystems que desenvolve, fabrica e distribui produtos, sistemas e software que capturam o processo e visualização 3D de dados espaciais através da utilização das mais avançadas tecnologias, instalou-se na região de São Carlos - Estado de São Paulo. A sede no Brasil será responsável pelos mercados latino-americanos e Caribe.

Em fevereiro de 2010, o empresa suíça Stadler Rail Group, assinou termo para fornecer 7 locomotivas para a empresa brasileira MRS Logística S.A., para operarem no sistema cremalheira entre São Paulo e Santos. O valor da transação foi estimado em CHF 60 milhões, o que reforça o potencial para equipamentos e produtos suíços com sua tecnologia avançada.

Também em 2010, a suíça Baumer, uma das principais fabricantes de sensores de automação para a indústria de processos, abriu sua subsidiária no Brasil. A expectativa da empresa em seu primeiro ano no mercado brasileiro é de atingir faturamento de US$ 1 milhão.

A Eftec, empresa suíça do grupo EMS, fabricante de produtos químicos para o setor automotivo, inaugurou em abril de 2010 sua primeira unidade de produção na América do Sul. O investimento na planta de Santana do Parnaíba - Estado de São Paulo -, foi na ordem de R$ 20 milhões, e projeções do grupo indicam que esta planta representará 8% do volume de negócios para a unidade EMS-Eftec.

A suíça Barry Callebaut, maior fabricante de chocolates do mundo, inaugurou em maio de 2010 uma planta para a produção de chocolates gourmet na cidade de Extrema, Estado de Minas Gerais. A empresa investiu R$ 28 milhões em sua nova unidade, a qual terá capacidade de produção de 20 mil toneladas de chocolate por ano.


Oportunidades de Negócios

O Rio de Janeiro sediará os Jogos Olímpicos, pela primeira vez na América do Sul, em agosto-setembro de 2016, bem como alguns jogos da Copa do Mundo de 2014. Estes dois eventos gerarão inúmeras oportunidades de troca comerciais e investimento em diversas áreas, tanto para os eventos como para a cidade.

O governo estadual do Rio de Janeiro estima que investimentos entre 2010-2016 alcançarão a cifra de US$ 50 bilhões em infraestrutura, construção, transportes, segurança pública, educação e treinamento, entre outros. Muitos destes investimentos ocorrerão através de Parcerias Público-Privadas (PPPs) dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A Suíça e o governo suíço demonstram grande interesse em tecnologias para a geração e utilização de energia limpa e renovável, favorecendo o Brasil no campo dos biocombustíveis e o etanol. Nessa área as oportunidades residem tanto na venda direta de combustíveis alternativos como também na transferência de tecnologia e parcerias produtivas entre empresas dos dois países.


Investimentos

A Suíça está entre os 16 países que mais investem no Brasil, com investimentos diretos que totalizam de 2007 a 2009 US$ 2 bilhões, de acordo com o Banco Central do Brasil. No ano de 2009, o Brasil recebeu da Suíça um total de US$ 376,7 milhões de investimentos diretos.

Segundo o Banco Nacional da Suíça, em 2008, a Suíça recebeu investimentos diretos no valor de CHF 5,5 bilhões (US$ 6 bilhões) vindos principalmente dos EUA. Com relação a 2007, houve um decréscimo de 92%, devido à crise econômica mundial. Alguns dos setores na Suíça com incentivos para receber investimentos são: biotecnologia, nanotecnologia, equipamentos médicos e tecnologia de comunicação.

O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de minério de ferro, suco de laranja, café, açúcar e o maior exportador de soja, carne e frango. Detém quase a metade do mercado mundial de jatos regionais e ocupa outras posições de liderança em diversos mercados como o de calçados e refrigerantes (3º), borracha (5º), cosméticos (6º), papel e celulose (7º), aço (8º), têxtil (8º) etc. É o quarto maior consumidor de adubo. Possui a segunda maior reserva de florestas naturais, terceira de bauxita e o quinto maior número de celulares do mundo. É o número um em reciclagem de latas de alumínio. Também é um dos maiores produtores de pedras preciosas do mundo, mas não está entre os principais fabricantes de jóias.

No entanto, o Brasil ainda requer grandes investimentos em energia, saneamento básico, malhas rodoviárias, ferroviárias e hidroviárias, aeroportos e habitação. Os mercados em expansão são: telecomunicações, TI, financeiro, semicondutores, infraestrutura, bioenergéticos, educação, turismo e lazer.

O país oferece diversas oportunidades para a exploração de energias alternativas, capazes de gerar créditos de carbono, como biocombustíveis (etanol e biodiesel) e potencial eólico e solar.

A tabela abaixo apresenta os anúncios de investimentos por setor, em forte crescimento de 2002 para 2005, bem como a previsão para 2007 a 2010:  

Crescimento dos investimentos por setor - 2002-2005 / 2007-2010

Setores

Investimento (R$ bilhões)

Crescimento Estimado

(% por ano)

Realizados

2002-2005

Estimado

2007-2010

Indústria

207,0

380,2

12,9

Gás e petróleo

99,2

183,6

13,1

Sucroalcooleira

12,5

20,5

10,3

Mineração

29,8

52,7

12,1

Siderurgia

14,4

37,1

20,8

Petrolífera

8,8

17,6

14,8

Farmacêutica

3,9

4,6

3,4

Papel e Celulose

9,2

20,0

16,9

Eletrônicos

8,2

15,6

13,9

Automotiva

20,9

28,5

6,4

Infraestrutura

124,8

197,9

9,7

Energia elétrica

40,8

88,2

16,6

Comunicação

58,7

58,8

0,0

Saneamento básico

16,3

38,1

18,5

Ferrovias

7,7

11,0

7,4

Portos

1,3

1,9

7,4

Serviços

1,6

2,6

10,0

Software

1,6

2,6

10,0

Construção Civil

316,7

470,0

8,2

Residencial

316,7

470,0

8,2

Total

650,1

1.050,6

10,1

Fonte: Anfavea, IBGE, IBS, Petrobrás, ONIP,Teleco, Telebrasil, ONS, EPE, ANTT, Almeida e Negrão (2005) e BNDES.

 

 

Empresas suíças no Brasil

Cerca de 350 companhias de origem suíça mantinham operações no Brasil. Grandes empresas como ABB, Bobst, Clariant, Elevadores Atlas Schindler, Holcim, Nestlé, Novartis, Roche, Sika, Sulzer, Swatch, Swiss International Air Lines, Swiss Re, Syngenta, Victorinox, Zurich, entre várias outras têm uma significativa presença no mercado brasileiro, muito utilizado como plataforma de exportação para os demais países da América Latina. Algumas delas estão presentes no Brasil há mais de 90 anos. Juntas, essas empresas geram cerca de 90 mil empregos diretos e faturam mais de US$ 10 bilhões anuais.

Empresas brasileiras na Suíça

São poucas as multinacionais brasileiras na Suíça: Banco Safra, Vale do Rio Doce, Aracruz, TAM e Vicunha. Contudo, o Brasil se faz presente também através de pequenas e microempresas montadas por cidadãos brasileiros. São escritórios de advocacia, agências de viagem, restaurantes, lojas e salões de beleza (uma lista encontra-se disponível no site da Ciga Brasil: www.cigabrasil.ch/addresses).