Bancos de grandes fortunas buscam agora emergentes

28/08/2009
Bloomberg News, de Genebra

Valor Online
http://valoronline.com.br

Os bancos especializados em administração de grandes fortunas estão se voltando para os mercados emergentes e se afastando de clientes americanos num momento em que o acordo firmado com o governo dos Estados Unidos para entregar as informações de 4.450 contas de clientes do UBS às autoridades do país corrói as práticas de sigilo bancário.

Os bancos suíços detêm US$ 2 trilhões aportados por pessoas físicas estrangeiras, ou 27% da riqueza mundial mantida fora dos países de origem, segundo o Boston Consulting Group e a Associação dos Dirigentes de Bancos Suíços. "O acordo mostra que os bancos suíços podem ser pressionados por autoridades fiscais estrangeiras´´, disse Teodoro Cocca, professor de administração de grandes fortunas da Universidade Johannes Kepler de Linz, na Áustria.

Parte dos 300 bancos suíços já estão deslocando seu foco para a Ásia, Rússia e Oriente Médio, enfatizando seu know-how financeiro e o renome da Suíça de estabilidade e segurança. A Julius Baer Holding AG, a Lombard Odier & Cie. e o Bank Sarasin & Cie.abriram escritórios de Moscou a Cingapura, passando por Mumbai, nos últimos dois anos. "Os grandes bancos deverão se esquivar de clientes americanos e se concentrar em mercados emergentes, como os da Índia e da China", disse Matthew Ledvina, advogado tributarista internacional de Zurique.

Alguns bancos suíços também estão abrindo agências em novos mercados europeus para atender clientes em seus países de origem. A Julius Baer abriu agências em Istambul, Moscou e Milão nos últimos dois anos. A Lombard Odier, o mais antigo banco de administração de grandes fortunas de Genebra, se expandiu para Praga e Cingapura, e o Bank Sarasin abriu agências em Mumbai, Varsóvia e Frankfurt.