As diversas e incríveis faces amazônicas

29/11/2016


Ambiental Turismo
Se hospedar em uma floresta tropical é se abrir às mais fascinantes e diferentes sensações, experiências e descobertas. Isso inclui dormir em um bangalô flutuante cercado por jacarés e botos, explorar ilhas que surgem em rios esmeraldas, fotografar a alvorada dos pássaros a partir de torres de 50 metros de altura, deslizar por rios caudalosos sob a luz das estrelas ou remar entre a copa de árvores centenárias. Tudo isso na companhia de uma fauna que representa 10% de todas as espécies de animais do planeta.

Na verdade, a Amazônia é um universo particular, com seu ritmo próprio, sabores intensos e trilha sonora autêntica. Antes das cinco da manhã, a floresta acorda com o sol que surge alaranjado atrás de um mar de árvores, entrecortado por um emaranhado de rios e lagos. Aos poucos, o calor vai dissipando a névoa que evapora da mata e desperta a cantoria alegre das aves. Vista de cima, a região parece um deslumbrante tapete verde sem fim, mas, por terra (ou por rio), é possível se surpreender com suas mais diferentes faces, tons, texturas e possibilidades turísticas. Se quiser experimentar os melhores ângulos imagináveis, você pode optar por um sobrevoo de hidroavião que te dá a real - e emocionante - dimensão da natureza amazônica e pousar nas águas de um rio, à beira de um logde de selva.

Se a proposta é se aventurar, desconectar, explorar cenários indescritíveis, mergulhar na cultura de povos tradicionais, a Amazônia tem sempre um convite instigante. Os roteiros saem de diferentes pontos de partidas no Amazonas, no Mato Grosso ou no Pará, com direito a pernoites em reservas ecológicas, ecolodges, pousadas comunitárias ou ainda em viagens de barco, em que você acorda cada dia em um novo cenário tropical.

A partir de Manaus, a principal porta de entrada da floresta, o viajante pode testemunhar o encontro dos rios Negro e Solimões, embarcar em um cruzeiro amazônico dos mais diversos estilos - dos mais rústicos aos mais sofisticados - ou se hospedar nos hotéis de selva que aliam conforto e espírito de aventura. As incursões pela mata incluem passeios de canoa pelos igarapés que convidam a desacelerar o ritmo, silenciar e se conectar com os sons da floresta. Há também trilhas entre árvores gigantes e saídas para focagem de animais como jacarés, aves e onças, que vez ou outra dão o ar da graça para os turistas. Para quem prefere experiências ainda mais imersivas e intensas, Tefé (AM), serve de ponto de partida para a Reserva de Mamirauá e sua pousada flutuante, que sobe e desce ao sabor das cheias da Amazônia. Os bangalôs construídos sobre um enorme lago são cercados de mais de um milhão de hectares de floresta que fica inundada durante o período das chuvas. Em um dos roteiros oferecidos pela pousada, os hóspedes podem se juntar a uma expedição científica e ajudar os pesquisadores a monitorarem o comportamento das onças-pintadas, que sobrevivem na reserva durante o período das cheias dormindo sobre os galhos das árvores. Já em Alta Floresta, no norte do Mato Grosso, os viajantes acordam antes do amanhecer para flagrar algumas das mais de 600 espécies de aves protegidas na Reserva do Rio Cristalino, remar pelas curvas de água negra do rio que dá nome à Reserva, curtir o visual de bangalôs com paredes de vidro e vista de 360 graus da floresta e à noite degustar um peixe assado na fogueira armada no elegante jardim do Cristalino Jungle Lodge.

No estado do Pará, a face urbana da Amazônia impressiona. Quando desembarcar na capital Belém, vale a pena se perder pelo emblemático Mercado Ver-o-Peso, uma impressionante feira ao ar livre que concentra especiarias tropicais, peixes e artesanato. O tour urbano também inclui a visita a prédios e teatros de arquitetura imponente que guardam séculos de história e restaurantes conhecidos por uma gastronomia elaborada, original e surpreendente à base de raízes, ervas e peixes amazônicos. Depois de conhecer a cidade, é hora de partir para um um exótico roteiro na Ilha de Marajó, maior ilha fluviomarinha do planeta, onde se pode desvendar um pedaço quase intacto da selva amazônica, cavalgar em búfalos e conhecer a milenar cerâmica tapajoara.

Para completar a viagem pelo Pará, a região de Alter do Chão descortina praias de rios e faixas de areias que surgem durante o verão no rio Tapajós, formando ilhas de areia branquíssima. De lá também é possível conhecer um parque nacional com selva protegida, vilas de pescadores e comunidades tradicionais com hospitalidade tão encantadora que vão te fazer sentir em casa em meio à maior floresta tropical do planeta.