Mensagem do Presidente

11/04/2007
Christian Hanssen

Relatório Anual 2006; pág. 25
É um prazer usar este espaço no Relatório Anual 2006/2007 para relatar os maiores destaques da SWISSCAM e expressar a minha posição referente ao cenário político-econômico brasileiro.

Em março de 2006, quando assumi a presidência da SWISSCAM, encontrei uma câmara bem organizada, em todos os sentidos, e expresso a minha satisfação em poder contar com um conselho executivo colaborativo e uma equipe profissional, cujo trabalho é elogiado tanto no Brasil quanto na Suíça.

O ano de 2006 se destacou pelos palestrantes Eugênio Staub, Fernando Furlan e Pedro Malan; a participação da SWISSCAM em três feiras importantes nos ramos dental, hospitalar e meio ambiente; o processamento de mais de 600 consultas comerciais; a organização da viagem de 15 executivos da uma grande loja suíça de departamentos ao Brasil; e pela visita de Philippe Nell, chefe da divisão “América” da SECO (Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça), que elabora a nova estratégia da Suíça para aumentar o comércio bilateral entre o Brasil e a Suíça.

Para obter fatos relevantes e concretos, Philippe Nell ouviu a posição e as sugestões de representantes de empresas suíças no Brasil. Com base nestes dados foi elaborada a estratégia, que teve como primeiro passo a visita da Conselheira Federal de Economia da Suíça, Doris Leuthard, ao Brasil. Em fevereiro deste ano, ela assinou, junto com Celso Amorim, Ministro de Estado das Relações Exteriores, um Memorandum of Understanding para a criação de uma comissão econômica que será a plataforma para a discussão de problemas concretos e permitirá discutir acordos bilaterais; facilitar o comércio bilateral e investimentos diretos; ouvir propósitos econômicos específicos da Suíça e do Brasil; incentivar a colaboração tecnológica e científica e garantir a constante troca de informações comerciais e propostas para agilizar investimentos.

Sempre observando o imenso potencial que o Brasil oferece a investidores suíços, estou otimista que esta iniciativa do governo suíço trará novas oportunidades de negócios para ambos países. Ressalto os setores de etanol e combustíveis renováveis que receberam destaque especial na visita da Ministra Doris Leuthard. Porém, também tenho de mencionar os ainda importantes entraves que o Brasil representa para quem quer investir neste país do eterno futuro. A principal pergunta é: onde ficou o crescimento da economia prometido por Lula?

Na reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar do número de votos recebidos ser quase idêntico (2002: 61,3%, 2006: 60,8%) o perfil do eleitor mudou. O presidente ganhou basicamente em municípios pequenos de 10 a 20 mil eleitores em regiões mais pobres. Há estudos (Jairo Nicolau et al, IUPERJ – Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro) que demonstram uma correlação significativa entre gastos com programas sociais (bolsa família) e votos obtidos. Podemos interpretar esses fatos de diversas maneiras, não retirando o brilho do resultado de quase 2/3 dos votos obtidos.

Nos últimos quatro anos foram atingidos diversos índices positivos como inflação baixa; balança comercial positiva gerando uma elevada reserva em moedas estrangeiras; superávit primário bastante positivo e outros. Mas isto não consegue tirar a nossa decepção com o crescimento pífio do PIB. Comparando o crescimento brasileiro com o de outros países em desenvolvimento ou mesmo da América Latina, o Brasil se encontra em último lugar ou perto dele.

Isso vale também na comparação do Brasil com os países BRIC, países esses recebendo atualmente toda atenção do mundo desenvolvido.

Uma das razões deste fato é uma baixa taxa de investimento de empresas privadas, resultado de um brutal enxugamento de liquidez. Pagamos quase 40% do PIB em impostos e taxas, valor esse um dos mais altos do mundo aliado a um agravante que a grande maioria dessa montanha de dinheiro é usada para pagar despesas e não em investimentos tão necessários atualmente. Os poderes públicos em todos os níveis terão que fazer o que qualquer dona-de-casa sabe fazer: diminuir despesas e gastar a sobra com sabedoria. Esperamos que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) proposto seja capaz de mudar esta situação e torcemos para que as tão faladas e imprescindíveis reformas (política, fiscal, jurídica e outras) ocorram, mesmo timidamente.

Enquanto esperamos ansiosamente tais mudanças, base fundamental para o crescimento tão necessário, a SWISSCAM não poupa esforços para apoiar empresas suíças e associadas a fazerem negócios em um ambiente promissor, porém munido de armadilhas cujo alto poder repelente a investidores evita que o Brasil seja o que poderia ser. Além disso, apoiamos esforços de empresas brasileiras que queiram instalar-se na Suíça.

Sabendo que mudanças tão maciças não acontecem da noite para o dia, cremos que a classe política brasileira, com o apoio do empresariado, conseguirá fazer a sua tarefa de casa. É uma tarefa politicamente muito difícil, mas ela é fundamental para que o Brasil saia da sua posição de lanterninha dos países em desenvolvimento e ganhe o reconhecimento global que tanto mereceria pelos seus enormes recursos naturais, tecnológicos e humanos.