ANVISA aprova a primeira imunoterapia da Roche no Brasil

10/10/2017


Roche

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de aprovar, no Brasil, uma nova imunoterapia para o tratamento de dois tipos de tumores oncológicos: o carcinoma urotelial, que atinge a região da bexiga, e o câncer de pulmão não-pequenas células (CPNPC). O tratamento realizado pela molécula TECENTRIQ® (atezolizumabe), desenvolvido pela Roche Farma Brasil, líder mundial em biotecnologia, trabalha para que o próprio sistema imune ataque as células cancerígenas, com resultados que impactaram na sobrevida dos pacientes.

Uma das indicações aprovadas do medicamento é o uso em monoterapia para o tratamento de pacientes adultos com carcinoma urotelial, localmente avançado ou metastático, após quimioterapia prévia à base de platina ou considerado inelegível a cisplatina. A outra, também em monoterapia, é o uso em pacientes adultos com CPNPC localmente avançado ou metastático após quimioterapia prévia. Pacientes com mutações ativas de EGFR ou mutações tumorais ALK positivo devem ter recebido terapia-alvo como tratamento prévio, antes de utilizarem atezolizumabe.

"A molécula é uma nova opção para ajudar os pacientes com estes tipos de cânceres avançados, que não responderam a outros tratamentos. Uma das funções inovadoras da terapia é a eficiência da droga, independente da seleção por um biomarcador", explica Lenio Alvarenga, diretor médico da Roche Farma Brasil. "Inovação é a essência do nosso trabalho e transformar conhecimento científico na descoberta de novas terapias que atendam às necessidades dos pacientes é a nossa principal contribuição para a ciência e sociedade", reforça o diretor.

O atezolizumabe foi a primeira droga aprovada pela agência reguladora americana, a Food and Drugs Administration (FDA), como imunoterapia anti-PD-L1, em outubro de 2016. A droga impede que o tumor inative as células T, que são responsáveis por detectar e atacar efetivamente as células tumorais. Com este bloqueio, o sistema imune ganha força contra a metástase, fase avançada da doença, dando mais sobrevida aos pacientes.

O estudo OAK, de fase III, realizado globalmente com mais de 1.225 pessoas com câncer de pulmão de células não pequenas na forma metastática mostrou que o TECENTRIQ® ajudou os pacientes que passaram pelo estudo a viverem em média 13,8 meses, o que significa um aumento de 4,2 meses do que os tratados com quimioterapia (docetaxel).

Para os pesquisadores científicos, que visualizam a imunoterapia como uma tecnologia que mudará o futuro do tratamento do câncer, o atezolizumabe é a molécula que trará um grande avanço para o combate do câncer de pulmão. "A droga está atualmente em mais de 15 testes clínicos para o tratamento deste tipo de câncer, englobando sete estudos de fase III - incluindo a primeira linha de tratamento", explica o diretor médico.

Sobre o câncer de pulmão de células não pequenas

Entre 80 a 85% dos cânceres de pulmão são do tipo não pequenas células, sendo que nestes o diagnóstico está dividido entre três subtipos (carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma, carcinoma de grandes células), dependendo de onde as células cancerígenas se originaram.

O tabagismo, seja ativo ou passivo, é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão de células não pequenas. Entretanto, existem outros comportamentos que influenciam e aumentam a propensão aos tumores malignos no órgão, como por exemplo, a exposição a químicos, histórico familiar e a poluição.
Uma das preocupações dos especialistas em relação ao câncer é que os sintomas demoram para se manifestar. Quando os pacientes relatam algum dos sinais como tosse, dor no peito e rouquidão, em boa parte dos casos, as células tumorais já se disseminaram e apresentaram metástases.